SALVE O COMPOSITOR POPULAR (2ª parte)
...Aí o seu parceiro diz: “pô, meu, não dá “procê’ sequenciar primeiro pra depois me mostrar??? E aí lá vai você: junta, sequencia, lê, relê e opsss, percebe que algo ainda não está bem amarrado e pensa, pensa, pensa, repensa e pronto...chegou o momento: o momento da “empacada”. Você sabe que a idéia está pronta, mas alguma coisa te incomoda. Solução: deixa de molho. Aí começa a escrever outros textos que não tem nada a ver com o que você deixou de molho e, às vezes, até os termina.
Lê bastante. Escuta muita música. Lê bastante escutando música. Escuta mais música lendo bastante e acrescente-se a isto tudo várias pitadas de pensamentos sobre coisas que não tem nada a ver com a música que está ouvindo e menos ainda com a leitura que está fazendo. Em meio a esta concentração não muito ortodoxa, pode surgir alguma coisa que você acha que dá para acrescentar naquele texto. Qual texto??? (Ah, sim, o que está de molho, lembra??). Você corre e o procura e, surpresa, indaga: uai, cadê o danado?? Será que joguei no lixo?? Corre pro lixo. Não acha. Resolve, então, abandoná-lo. E fica lamentando pois, naquele instante e somente naquele instante, a sua opinião era a de que aquele texto era o texto mais genial da sua vida. E ao abandoná-lo conclui: o texto me venceu. Não quis dar o ar da sua graça, no literal sentido destas palavras. E que sensação incômoda.
Acontece também que se passam alguns dias, meses e até anos (por falar em anos, um aparte: o Carlos Gomes, recordista absoluto, demorou três para musicar minha letra “Cinderela” – que está no CD Ivânia Catarina. Dêem uma ouvida, é linda – valeu o tempo de espera) Pois é, acontece de, passado o tempo, eu vir a descobrir o que estava faltando para completar aquele texto (aonde é que eu coloquei esse trem???) ou vir a constatar que não estava faltando absolutamente nada para acrescentar a ele. Mas e aí? Não posso crer que eu tenha jogado no lixo um texto tão lindo!!
Agora, o “frisson” mesmo é quando o seu texto vai a público e, felizmente, é bem aceito, porém, independentemente da aceitação, você começa a sentir que poderia tê-lo escrito de uma outra forma... Ainda bem que tem certas coisas que somente nós achamos. E assim vai seguindo a vida... (Caramba, preciso achar aquele texto, vou vasculhar mais por aí!!)
Bom,vou ficando por aqui. Vou virar o apartamento de ponta à cabeça e dar uma balançada nele pra ver se o texto aparece, mas antes, quero deixar registrada a minha admiração por todos aqueles que conseguem chegar aos “finalmente” dos seus textos, dizendo exatamente aquilo que querem dizer e que, ao mesmo tempo, expressam brilhantemente, sentimentos universais.
SALVE O COMPOSITOR POPULAR!
Ahaa! De repente, uma luz. Achei meu texto. As partes já foram juntadas e digitadas no word . Ufa! Ainda bem que temos o computador.
IVÂNIA CATARINAJaneiro de 2004
Para ler as crônicas anteriores, clique nos links abaixo
7 - Salve o compositor popular (1ª parte)
6 - O que é ser diferente ou igual em música? (2ª parte)
5 - O que é ser diferente ou igual em música? (1ª parte)
4 - Nós e o Festival de Viña del Mar (2ª parte)
3 - Nós e o Festival de Viña del Mar (1ª parte)
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